Consumo de carne vermelha na adolescência aumenta o risco de câncer de mama.

Um estudo da universidade de Harvard, o chamado “Estudo das Enfermeiras de Harvard” investigou o consumo de carne vermelha e outras fontes de proteína e sua relação com o risco de câncer de mama. Foram seguidas 44.231 mulheres entre 33 e 52 anos que responderam a um questionário detalhado sobre suas dietas na adolescência. Foram documentados 1.132 casos de câncer de mama durante os 13 anos de seguimento do estudo. Um alto consumo de carne vermelha na adolescência foi associado com alto risco de câncer de mama na pré-menopausa. Substituir uma porção diária de carne vermelha por carne branca, legumes ou nozes foi associada a um risco 15% menor de câncer de mama no geral e um risco 23% menor de câncer de mama na pré- menopausa.

redmeat-fotoA relação entre consumo de carne vermelha e câncer de mama tem sido examinada em vários estudos que não encontraram uma importante associação. Entretanto, a maioria destes estudos foi baseada em dietas durante a meia idade e após. Em contraste, entre mulheres do estudo das enfermeiras de Harvard II, grande consumo de carne vermelha no começo da idade adulta foi associado com aumento na incidência de câncer de mama. Além disso, o consumo de proteína vegetal na idade de 14 anos foi associado com menor risco de doença benigna na idade adulta. Sendo assim, uma potencial explicação para a falta de associação nos estudos prévios seria o período de exposição alimentar.

A glândula mamária é particularmente vulnerável à influência dos carcinógenos durante a adolescência devido a rápida proliferação das células nessa fase. A evidência para esta janela de vulnerabilidade foi demonstrada na bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki e foi também vista no tratamento radioterápico do linfoma de Hodgkin; em ambos os casos a exposição a radiação na infância e começo da idade adulta foi associada com subsequente risco de câncer de mama, considerando que a exposição após a idade de 30 anos tenha tido pouco efeito.

Durante os 13 anos de seguimento das 44.231 mulheres, 1.132 casos  de câncer de mama invasivo foram diagnosticados (546 na pre-menopausa, 483 na pós-menopausa, e 103 com status menopausal incerto). Comparadas com as mulheres com o consumo da menor porção de carne vermelha na adolescência, aquelas com a maior porção eram mais propensas a beberem álcool, serem fumantes e terem menarca antes dos 12 anos de idade. Elas eram também mais propensas a terem maior IMC aos 18 anos e na idade adulta.

Entre todas a mulheres, o risco de câncer de mama foi 17% maior nas mulheres com o maior consumo de carne vermelha, comparadas com as de menor consumo. Entre as mulheres na pré-menopausa, o alto consumo de carne vermelha foi associado a um aumento de 43% no risco de câncer de mama comparadas com as de menor consumo. Mesmo com maior ingestão de frutas e vegetais a associação se manteve. E não houve mudança quando ajustada para consumo de gordura animal.

Varios mecanismos biológicos podem explicar a associação entre carne e câncer de mama. Subprodutos carcinogênicos, como as aminas heterocíclicas, criadas durante o cozimento da carne em altas temperaturas podem contribuir para o câncer de mama. Aminas heterocíclicas tem atividade estrogênica a e sua atividade carcinogênica específica no tecido mamario tem sido relatada. Também foi encontrada uma associação inversa entre o consumo de carne de aves e o risco de câncer de mama. Porém, esse dado pode ser devido ao processo de cozimento ser diferente para a carne de aves, assim como, seja possível que consumidoras de frango tenham uma dieta e hábitos mais saudáveis explicando a associação inversa por este fator confundidor.

proteina-vegetal-375x195Efeitos anticarcinogênicos dos feijões e leguminosas foram mostrados em inúmeros estudos e devem contribuir para o menor risco de câncer observado na substituição de carne vermelha por leguminosas. Reduções na insulina, fator de crescimento semelhante a insulina e proteina C reativa, aumento do consumo de fibras ou alterações no metabolismo dos lipídeos podem também contribuir para o baixo risco

Como conclusão, o alto consumo de carne vermelha durante a adolescência foi associado com elevadas taxas de câncer de mama na pré-menopausa e a substituição por outras fontes de proteína pode reduzir as chances de ter câncer de mama, especialmente na mulher adulta antes da menopausa.

Fonte: Adolescent meat intake and breast cancer risk

 

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