Como deve ser a dieta após o diagnóstico do Câncer de Mama?

Será possível melhorar os desfechos relacionados ao Câncer de Mama através da dieta? Qual seria então a melhor dieta para a doença? Os estudos que mostraram resultados positivos tanto para redução na mortalidade quanto para prevenção da recidiva local evidenciaram um padrão alimentar com baixa ingestão de gordura, alto consumo de fibras e leguminosas.

Um estudo feito em 40 centros médicos nos Estados Unidos com 48.835 mulheres na pós menopausa, O WHI – Women’s Health Initiative, concluiu que comparado com um grupo de dieta usual, um padrão alimentar com baixo teor de gordura levou a uma menor incidência de óbitos após o câncer de mama e que portanto, uma dieta baixa em gordura e sustentada por longo período de tempo aumenta as taxas de sobrevivência entre mulheres após o diagnóstico do câncer de mama.

Já outro estudo, o Women’s Intervention Nutrition Study mostrou que de 2.437 mulheres que foram divididas em um grupo com dieta com pouca gordura e outro grupo controle, os eventos como recorrência, metástases e câncer na outra mama foram reduzidos em 24% no grupo da dieta. Como conclusão, a adoção de uma dieta pobre em gordura pode aumentar a sobrevida livre de doença nas pacientes com câncer de mama.

Em relação as leguminosas, um grande benefício desses alimentos é a presença dos fitoestrógenos, principalmente os da soja. Os fitoestrógenos não são o mesmo que o estrógeno humano. Pensa-se que os efeitos positivos e protetores dos fitoestrógenos na saúde possam ser causados por essa qualidade “igual, mas diferente”: eles podem mimetizar as ações do estrogênio, se ligando aos receptores estrogênicos, mas atuando como antagonista do estrógeno.

Um novo estudo publicado na edição de 2017 da American Cancer Society descobriu que a soja pode salvar vidas quando se trata de mulheres sobreviventes de câncer de mama. Os cientistas seguiram um grupo multiétnico de mais de 6.000 mulheres com câncer de mama por mais de nove anos. Eles descobriram que o grupo que consumiu mais isoflavonas de soja (≥1,5 mg por dia) apresentou 21% menos óbitos por todas as causas em comparação com aqueles que consumiram menos (<0,3 mg por dia), demonstrando que a soja não somente é segura para consumo como também pode ser muito saudável. E ainda, a quantidade de 10gramas de soja ao dia diminuiu em 29% o risco de morte e em 32% o risco de recidiva.

Assim, embora não existam protocolos oficiais de dieta após o diagnóstico de câncer de mama, a alimentação da mulher portadora da doença deve seguir as recomendações:

  • Pobre em gordura saturada (reduzir carnes, laticínios e ovos)
  • Rica em fibras (aumentar todos os vegetais, cereais integrais, frutas)
  • Rica em ômega 3 (castanhas, chia, linhaça)
  • Rica em leguminosas como feijões e soja (tofu, missô, leite de soja)
  • Rica em vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, etc).
  • Pobre em carboidratos refinados e açúcar (devido ao alto índice glicêmico)
  • Pobre em alimentos industrializados e comida processada.
  • Ausente em carnes processadas, incluindo carne branca embutida, devido a substâncias cancerígenas presentes.
  • Hipocalórica, ou seja, pobre em alimentos muito calóricos, como frituras, doces, etc.

É possível substituir a proteína animal por fontes de proteína vegetal na dieta e assim aumentar o aporte de fibras, diminuindo o de gordura. Leite, ovos, queijos, frango, carnes e peixe não contem nenhuma fibra. Já feijões, ervilhas, lentilhas, grão-de-bico, cereais integrais, sementes e castanhas, entre outros, além de conterem proteínas ainda apresentam grandes quantidades de fibras que atuam na prevenção do câncer por:

  • Melhorar a sensibilidade à insulina,
  • Reduzir os níveis do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1).
  • Reduzir os níveis plasmáticos de estrógeno por aumentar a sua excreção fecal.

Indo mais além, os alimentos vegetais contém em sua maioria, substâncias conhecidas como antioxidantes e fitoquímicos que atuam no ciclo celular e são muito úteis no combate ao câncer. Esses compostos podem eliminar os radicais livres e ativar o sistema imunológico, e são capazes de reduzir a conversão das substâncias cancerígenas à sua forma ativa. Alguns exemplos são a genisteína, encontrada na soja, o licopeno do tomate, o beta-caroteno encontrado na cenoura, abóbora; os flavonóides presentes em muitos alimentos vegetais, o selênio da castanha do pará, a quercetina, curcumina, epigalocatequina, alicina, resveratrol e muitos outros.

Portanto, os alimentos vegetais fornecem uma imensa gama de fatores de proteção que vai muito além das fibras, vitaminas e dos minerais o que faz com que uma dieta baseada em vegetais seja uma poderosa aliada no tratamento da mulher afetada pelo câncer de mama.

 

Fontes:

1- Low-Fat Dietary Pattern and Breast Cancer Mortality in the Women’s Health Initiative Randomized Controlled Trial.

2- Dietary Fat Reduction and Breast Cancer Outcome: Interim Efficacy Results From the Women’s Intervention Nutrition Study

3- Dietary isoflavone intake and all-cause mortality in breast cancer survivors: The Breast Cancer Family Registry.

4- Vegetable intake is associated with reduced breast cancer recurrence in tamoxifen users: a secondary analysis from the Women’s Healthy Eating and Living Study.

5- Soy Food Intake and Breast Cancer Survival

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