Afinal, o Ser Humano é Carnívoro, Onívoro ou Herbívoro?

Se você ainda tem dúvidas, não perca este vídeo (a tradução esta logo abaixo) da Dra. Sofia Pineda Ochoa co-fundadora do grupo meatyourfuture.com:

O que ela diz:

É muito importante dar a um animal o alimento que ele seja fisiológica e anatomicamente projetado para comer, para assim melhorar as chances de sobrevivência e saúde. Então, o que os humanos foram feitos para comer? Quando olhamos as espécies para determinar o que elas são em termos de carnívoros, onívoros ou herbívoros, podemos olhar para o seu comportamento ou podemos olhar a sua biologia. Do ponto de vista do comportamento, humanos se comportam como onívoros porque observamos muitos humanos no seu comportamento de comer uma grande variedade de ambos alimentos animais e vegetais. Biologicamente, entretanto, do ponto de vista da fisiologia e anatomia, é uma historia diferente.

O Dr. William C. Roberts do Instituto Nacional de Saúde e Universidade de Baylor, que é o editor chefe do “Jornal Americano de Cardiologia” e um dos mais proeminentes cardiologistas do mundo, com mais de 1500 publicações em revistas científicas, resumiu nossa resposta muito bem. Ele escreveu:

“Embora a maioria de nós conduza nossa vida como onívoros, de modo que comemos carne, bem como vegetais e frutas também, os seres humanos têm características de herbívoros, não de carnívoros. O anexos de carnívoros são garras; aqueles de herbívoros são mãos ou cascos. Os dentes dos carnívoros são afiados; os dos herbívoros são principalmente retos (para moer). O trato intestinal dos carnívoros é curto (3 vezes o comprimento do corpo); o dos herbívoros é longo (12 vezes o comprimento do corpo). O resfriamento do corpo dos carnívoros é feito pela respiração ofegante; herbívoros pela transpiração. Carnívoros bebem fluídos por lamber; herbívoros por sorver. Carnívoros produzem sua própria vitamina C, enquanto que os herbívoros obtêm-na da sua dieta. Assim, humanos têm características de herbívoros, não de carnívoros.”

Está certo. Humanos tem características de herbívoros, não de carnívoros ou de onívoros – porque onívoros, como ursos guaxinins, na verdade retém a maioria das características dos carnívoros, assim que eles ainda são capazes de digerir e caçar a sua presa, e o fazem efetivamente. Embora nos comportemos como onívoros, nosso sistema digestivo na verdade se assemelha aquele dos chimpanzés e outros grandes macacos, que comem basicamente plantas. O percentual de alimento animal que os chimpanzés comem é muito baixo, se algum, entre 2 a 3% e principalmente cupins e outros insetos.

No que se refere ao sistema gastrointestinal, humanos, como os herbívoros, tem uma abertura relativamente pequena da cavidade oral comparada ao tamanho da cabeça. Carnívoros tem uma boca larga em relação ao tamanho da cabeça, e sua articulação da mandíbula é conjunta, muito forte e estável, encontrando-se no mesmo plano dos dentes; a mandíbula inferior de um carnívoro não se move para frente e muito pouco para os lados. Como herbívoros, nossa articulação da mandíbula está posicionada acima do nível dos dentes, e por ter um ângulo expandido, a mandíbula inferior tem mais movimentos para os lados e mais movimentos laterais complexos para mastigar alimentos vegetais. Nossa articulação da mandíbula é menos estável e forte que as dos carnívoros, portanto, e poderia facilmente ser deslocada se nós, na verdade, tentássemos predar um animal. por outro lado, se um carnívoro tivesse nossa mandíbula mais instável, e deslocada que a sua, ele provavelmente morreria de fome, ou seria predado, então seria muita desvantagem para um carnívoro ter mandíbulas como as nossas.

Herbívoros mastigam a comida destruindo as células vegetais para melhor digestão e para mistura-las com saliva, porque ao contrário dos carnívoros, que na maioria engolem a comida sem mastigar e misturar com saliva, herbívoros e humanos têm saliva que contem enzimas digestivas. Então, nossa digestão começa no processo de mastigação. A saliva dos animais carnívoros não contem nenhuma enzima para digestão.

Dentes são surpreendentemente diferentes também. Nossos caninos são retos, sem corte e pequenos, formados como uma espada e não serrilhados; ao contrário dos carnívoros, que os têm alongados e em punhal – como, os quais são sempre serrilhados para matar e estraçalhar sua presa. Nossos molares e pré-molares são quadrados e achatados para trituração e esmagamento; ao contrário dos carnívoros, que os tem afiados, como uma lâmina. Se nós humanos tentássemos matar uma girafa, por exemplo, com nossos dentes, rapidamente seriamos chutados pelo animal. Ou, se com sucesso nos espreitássemos e, na verdade, tentássemos realmente morder o animal vivo, isso poderia resultar em alguns de nossos dentes caindo ou na nossa mandíbula deslocada. Nós com certeza terminaríamos com uma girafa muito irritada, mas não morta.

E sobre o estômago. Nosso volume estomacal, como os herbívoros é cerca de 25% do nosso trato gastrintestinal, ao contrário dos carnívoros, que tem um volume estomacal muito grande com o dobro da capacidade, cerca de 60 a 70% do total do volume do trato gastrointestinal, o que permite a eles matar talvez uma vez por semana, engolir grandes quantidades de carne, e digerir mais tarde.

O ph do nosso estômago é entre 4 a 5, com comida; já carnívoros que secretam muito mais ácido clorídrico, têm um ph estomacal que é muito mais ácido (seu ph é geralmente 1 ou menos, com comida). O estômago mais ácido de um carnívoro é vantagem para matar bactérias encontradas na carne em decomposição. Como o Dr. Roberts mencionou, humanos, como os herbívoros, têm um intestino delgado muito longo, cerca de 10 vezes o comprimento do corpo; já os intestinos dos animais carnívoros, os quais são curtos, apenas 3 a 5 vezes o comprimento do corpo. O intestino longo em humanos e nos herbívoros é necessário para as fibras das plantas, as quais requerem tripas maiores e mais elaboradas, as vezes saculadas como o intestino humano.

E, há algumas impressionantes diferenças fisiológicas também. Assim como outro herbívoros, humanos requerem vitamina C das plantas. Se não ingerirmos vitamina C, nós teremos uma doença chamada escorbuto na qual somos incapazes de sintetizar colágeno, que é a substância construtora de praticamente tudo em nosso corpo (então, falta de vitamina C pode resultar em problemas em nossos ossos, sangramentos, gengivas, problemas com cicatrização de feridas, etc.). E vitamina C é encontrada exclusivamente em plantas. Mamíferos que são primordialmente carnívoros não necessitam comer vitamina C das suas dietas. Eles sintetizam sua própria vitamina C.

Também, a vitamina A conta. Existem dois tipos de vitamina A: (1) vitamina A pré-formada, como retinol, encontrada em produtos animais como carne, fígado, laticínios, ovos e peixe; e (2) pró-vitamina A, carotenóides, encontrados em alimentos vegetais. A forma de vitamina A que vem dos animais pode ser tóxica para os humanos em grandes quantidades. Os fígados de animais que são primordialmente carnívoros tem a capacidade de desintoxicar vitamina A. Entretanto, nossos fígados são incapazes de fazer isso. No artigo publicado no Jornal Americano de Nutrição Clinica”, cientistas expressaram preocupação com que o excesso de vitamina A que vem de animais não seja sempre identificado e possa causar sérios problemas. Eles dizem: “Vitamina A em excesso pode ser um problema crescente mas pouco subestimado”. E aparentemente este problema não é novo. Os cientistas relataram que: esqueletos fossilizados dos primeiros seres humanos sugerem que anormalidades ósseas possam ter sido causadas por hipervitaminose A (excesso de vitamina A). Deste e de outros relatórios, a toxicidade da vitamina A é conhecida por ser um fenômeno antigo.” Assim, parece que temos sido onívoros por algum tempo até agora não obstante nossa biologia. Assim, parece que nosso comportamento foi de onívoros até agora, apesar da nossa biologia.

A última coisa a se colocar é, na verdade, uma muito triste. Uma característica que é única dos herbívoros e não de carnívoros e que é um problema em humanos. É algo que Dr. Roberts apontou bem: “Aterosclerose afeta somente herbívoros. Cães, gatos, tigres, e leões podem ser saturados com gordura e colesterol e placas ateroscleróticas não se desenvolvem.”

Carnívoros e onívoros – animais que são feitos para comer outros animais – podem comer todos os animais e todos os produtos derivados de animais que eles quiserem e nunca desenvolverão aterosclerose, que são placas de colesterol cobrindo nossos vasos que podem obstruir o fluxo sangüíneo que vai para o nosso coração e cérebro e causar ataque cardíaco e derrame. Colesterol em nossa dieta somente esta presente em produtos animais, e nós não precisamos consumir nada dele, porque nosso corpo já sintetiza todo o colesterol que precisamos para todas as nossas necessidades biológicas.

Animais que não foram projetados para comer carne, como herbívoros, incluindo humanos, desenvolvem aterosclerose. Nós desenvolvemos este revestimento problemático de colesterol em nossas artérias, e o fazemos isso o tempo todo. Aterosclerose é ubíqua na dieta ocidental com produtos animais desde muito cedo em nossas vidas. Nós realmente terminamos pagando um preço por nos comportarmos como onívoros, quando somos biologicamente desenhados como herbívoros.

 

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